Estudar para concurso público: vale o esforço?

Em épocas de eleições, bem como no período de final do ano, sempre surge a vontade de mudar de vida junto com a sociedade. Com o fim da escala 6×1 e a possibilidade de andarmos nos transportes públicos de maneira totalmente gratuita aos finais de semana, existe então o desejo de dar uma volta de 360 graus na própria vida e realmente dar o primeiro passo para uma vida melhor.

Nesta lógica, é válido lembrar a enorme quantidade de brasileiros que estão submetidos a cargos em empresas privadas, ou até mesmo são autônomos, que dormem temendo serem despedidos ou correndo o risco de não terem mais clientes para quem prestar serviços, é uma das maiores do país. De acordo com o G1, o Brasil possui cerca de 103 milhões de pessoas que trabalham ou de CLT, são pessoas jurídicas pela MEI ou, ainda, trabalham informalmente (sem carteira assinada ou CNPJ). Nesse sentido, um dos sonhos que nossa sociedade compartilha mutuamente, de fato, é conseguir ser aprovado e tomar posse num ótimo cargo público. 

Porém, mesmo que seja um sonho, muitos possuem medo de entrar de cabeça por vários motivos, os quais incluem progressão lenta (baseada em tempo de serviço e não produtividade), excesso de regras, leis e hierarquias rígidas, a monotonia das atividades exercidas no dia a dia (sempre bem burocráticas e repetitivas). Além, claro, do principal fator deles: os anos sentado numa mesa estudando por horas a fio, sem ter certeza de que o edital vai sair, se, caso você faça a prova, consiga ser nomeado, fora todo o custo emocional envolvendo pressão familiar, ansiedade e outros. 

É justamente em decorrência de todos esses fatores que várias pessoas hesitam em trocar de carreira e ir para o setor público, temendo que a vida se torne pior do que a CLT. No entanto, nós, do DODF, ouvindo seus pedidos, decidimos te mostrar os diversos benefícios que apenas cargos públicos podem oferecer no mundo trabalhista incerto que vivemos hoje. Ao final, você terá uma opinião formada para bater o martelo e decidir se o seu perfil se encaixa mais no ramo privado ou no ramo público.

Vamos começar?

1 – A vida dura e incerta do CLT privado

Vamos aos fatos: conseguir um emprego no ramo privado é extremamente difícil. Além de passar por diversas etapas de entrevista, as quais muitas vezes exigem conhecimentos e habilidades que não serão necessários para o dia a dia normal do cargo, as pessoas ainda poderão sofrer represálias caso sejam aprovadas, como abusos de poder e perda da liberdade de opinião em prol de agradar o próprio chefe a fim de não ser demitidas.

Infelizmente, o mundo em que vivemos não é e nunca foi justo. Só quem trabalha como CLT sabe o quão difícil é conseguir ir ao médico fora do expediente e, caso não consiga, o quão desafiador é negociar entrar mais cedo ou sair mais tarde para algo que deveria ser direito de todos. Fora o fato de que, caso você chegue atrasado por conta de problemas no transporte público, quem sofrerá será o seu salário com os descontos dos minutos ali perdidos.

Para todos os efeitos, muitas vezes esses cargos exigem de você um conhecimento exorbitante para um salário que não ultrapassa muito o mínimo. Torna-se até injusto, quando paramos para pensar, na humilhação que passamos estudando anos e anos, investindo em nosso futuro com um dinheiro que não temos naquele momento, para, no final das contas, ganhar o equivalente a três ou quatro salários mínimos, precisando cuidar da família, pagar as contas e tentar viver minimamente bem enquanto carregamos um conhecimento nível sênior.

Em cenários ainda piores, você poderia ser autônomo, seja pagando impostos para trabalhar por possuir um CNPJ, ou correndo o risco de as autoridades tomarem a sua mercadoria enquanto você tenta viver, trabalhando informalmente e sem garantia de qualquer direito — férias significam perda de dinheiro, auxílios alimentação e saúde nem ao menos existem em cenários assim.

Logo, mesmo que ocorram reformas administrativas e precisemos passar dois, três, cinco anos estudando para um cargo público, saiba que seu esforço será muito bem recompensado tanto em questão de salários quanto benefícios — justamente o assunto que falaremos agora.

2 – Remunerações iniciais altas para vagas de nível médio

Pode apostar o quanto quiser (ou, de preferência, não aposte), mas cargos de nível médio no ramo público podem começar ganhando cerca de R$ 6 mil, a depender do cargo e do órgão de quem está contratando!

Pois é! Isso significa que, após terminar o ensino médio, você pode estudar, por exemplo, para o Tribunal de Justiça de São Paulo e tornar-se Escrevente Técnico Judiciário, ganhando cerca de R$ 6.504,60 inicialmente, podendo alcançar até R$ 9.413,60 se juntarmos os benefícios fixos, opcionais e aqueles que são conquistados com base em critérios.

A composição principal da remuneração se baseia em:

  • Salário base de R$ 6.504,60;
  • Auxílio-alimentação de R$ 1.840,00;
  • Auxílio-saúde de R$ 718,00 a R$ 1.228,00 conforme a faixa etária do servidor;
  • Auxílio-transporte de R$ 322,00.

Como benefícios adicionais, temos:

  • Auxílio-creche de R$ 805,00 por filho;
  • Auxílio a filho com deficiência de R$ 1.207,50;
  • Adicional de Qualificação de acordo com o seu nível de conhecimento: graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado;
  • Quinquênios e sexta parte, adicionais a partir de tempo de serviço acumulado no cargo.

É válido comentar que nem todos os cargos de nível médio recebem salários tão bons quanto esses. Apesar de ser uma exceção, ainda assim existem diversos órgãos espalhados pelo Brasil que remuneram extremamente bem seus funcionários, mesmo que eles tenham apenas nível médio.

3 – Férias remuneradas, recessos e folgas periódicas se você for mesário

Se na vida CLT precisamos negociar nosso período de férias com nossos chefes, ou até mesmo vendê-las e ficarmos dois anos ou mais trabalhando direto, sobrevivendo apenas em feriados em troca do dinheiro delas. Muitas vezes não tiramos férias por medo de, quando voltarmos, podermos ser despedidos por diversos motivos que nem sempre conseguimos prever. 

No serviço público, não é dessa forma. Além de podermos tirar férias inteiras (um mês inteiro) ou parceladas, dividindo os trinta dias ao longo do ano, você ainda terá direito ao recesso de final de ano, podendo assim comemorar os feriados ao lado dos amigos e familiares!

Outro fator interessante para quem trabalha no meio público é que, em épocas de eleição, como a que estamos vivendo agora, podemos nos voluntariar para trabalhar como mesários e, quando precisarmos no futuro, poderemos utilizar essas horas como possíveis “folgas” — seja para descansar da vida corrida, para colocar os exames e consultas médicas em dia ou para resolver problemas ocasionais, como são comuns do dia a dia.

A maneira como férias, recessos e banco de horas são utilizados varia de órgão para órgão, então recomendamos que você se informe antes de tomar qualquer decisão.

4 – CLT ou Serviço Público? Qual escolher?

A pergunta que não quer calar: qual é o melhor caminho para a minha vida? Trabalhar no setor privado e crescer mais rápido, ou ir para o ramo público e aproveitar a estabilidade que terei até a aposentadoria?

A resposta para essa pergunta, assim como para tantas outras que já fizemos no DODF, é: depende. 

Depende de diversos fatores que você precisa colocar na ponta do lápis, afinal a vida é diferente para cada um, com seus próprios objetivos e decisões que serão tomadas ao longo da sua trajetória.

Por exemplo: para alguém que estuda jornalismo ou está inserido na área de comunicação, faz muito mais sentido tentar procurar vagas em emissoras de televisão e trabalhar no modelo CLT. Já para alguém que estuda direito, é muito mais vantajoso se dedicar a certames públicos, visto a variedade de cargos que exigem esse conhecimento prévio.

Porém, nem todo cargo possui uma formação específica. Você pode ser Analista Judiciário com funções administrativas e ser formado em artes visuais, em cinema ou até mesmo em administração! Então, dependendo do seu objetivo, é possível que você possa se formar no que ama e, logo depois, ingressar num concurso público sem medo de ser feliz!

Lembre-se: é muito mais vantajoso dormir e acordar sabendo que você não será demitido, ou que seu salário não será pago atrasado, ao invés de viver com a incerteza de como você viverá o amanhã.

Nós, do DODF, te desejamos bons estudos e até a próxima!