Conheça as principais etapas avaliativas dos concursos públicos!

Para concurseiros de primeira viagem, o mundo dos certames pode parecer um tanto quanto assustador assim que veem as diversas etapas avaliativas para conseguirem ocupar o cargo dos sonhos no ramo público. Também, não é difícil surpreender-se e temer o amanhã quando vemos que precisaremos passar por quatro ou cinco provas diferentes.

Apesar do possível desgaste físico e psicológico, basta pararmos um minuto para estudar e ver que, no final das contas, não é tão impossível assim passar por essa “provação” ao vermos os longos e demorados anos de estudos que passamos para chegar até onde chegamos.

Ainda, várias pessoas cogitam desistir de concorrer a uma vaga no setor público por não saberem ou terem pouquíssimo conhecimento sobre o que são e como serão realizadas as etapas avaliativas de seus certames — algo completamente normal, visto que ninguém nasce sabendo de tudo, não é mesmo?

Por isso, e por conta de tudo o que está sendo colocado em jogo em nome de nosso futuro conforto e estabilidade financeira e pessoa, nós do DODF preparamos um super artigo (salvador de vidas, até) focado em te explicar quais são as etapas mais comuns e mais possíveis de serem encontradas no seu próximo concurso, afinal estar preparado não requer apenas saber a matéria ou ter foco, força e fé para enfrentar mundos e fundos em troca de sua aprovação.

Ao contrário do que muitos pensam, elas não são o terrível bicho de sete cabeças imbatível de se vencer — na verdade, desde que tenha o preparo certo e focado em seu objetivo, qualquer um é plenamente capaz de encará-las e ganhar no final de tudo!

Vamos começar?

1 – Prova Objetiva

De todas, é a única que estará presente em todo e qualquer certame público que você e/ou alguém próximo a ti irá fazer. A depender da banca que a aplica e da preparação do candidato, a prova objetiva é mamão com açúcar!

Muito parecida com as provas aplicadas no ensino fundamental, médio e em vestibulares, a prova objetiva é composta por questões de diferentes níveis e formatos com cinco opções de resposta disponíveis, das quais apenas uma estará correta de fato.

Por demandarem pouco tempo para serem resolvidas na grande maioria dos casos, é normal encontrar em concursos cerca de 70, 80 ou até mesmo 90 questões para serem resolvidas num período de 05 horas ou menos — a depender da complexidade delas, claro.

Em algumas bancas, como o Cebraspe, essas questões vêm acompanhadas de duas alternativas apenas, pedindo para que o candidato marque “CERTO” ou “ERRADO” conforme a pergunta ali feita. 

Por ser a primeira etapa de todas, ela possui caráter eliminatório e classificatório, visto que seu principal objetivo é aprovar as pessoas com mais acertos nelas, com questões tendo peso de 01 ponto a 02 pontos para compor a nota final. Caso você fique acima da nota de corte (ou seja, a nota mínima para ser aprovado), você estará classificado. Caso fique abaixo do corte, estará automaticamente desclassificado.

Além disso, essa etapa, assim como bem vemos nos vestibulares, são divididas em blocos de conhecimento, os quais separam as matérias exigidas no conteúdo programático umas das outras em prol de melhor organização do candidato e dos avaliadores. Isso é comum inclusive nos blocos pertencentes ao ramo do direito, uma vez que é possível ver uma separação desta matéria por assunto, como, por exemplo: “Bloco de Direito – Direito Processual Civil” e logo abaixo “Direito Constitucional” e assim por diante.

Algo importante a se saber sobre este tipo de avaliação são as notas mínimas em cada bloco para que o candidato esteja apto a passar de fase e/ou possa tomar a posse. Na última prova para Escrevente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), foi exigido que o candidato acertasse 50% de cada bloco da prova (Bloco de Língua Portuguesa, Bloco de Direito e Bloco de Conhecimentos Gerais) para ser plenamente aprovado. Caso o candidato acertasse menos em qualquer um dos blocos, seria imediatamente desclassificado.

Porém, cuidado com os seus chutes! Bancas como o Cebraspe costumam penalizar seus candidatos por conta deles, anulando uma questão certa a cada questão errada. Na lógica da banca, o candidato não tinha o conhecimento suficiente para o certame e acabou por chutar as questões — percebe-se, no entanto, o quanto o Cebraspe valoriza que as pessoas estudem e estejam certas de suas respostas.

2 – Prova Discursiva

Talvez, uma das mais temidas etapas avaliativas entre os concurseiros.

A prova discursiva nada mais é do que um modelo de prova baseado em respostas escritas em texto corrido a partir de situações problemas e/ou questões mais complexas do que as apresentadas nas provas objetivas — podendo, também, incluir a realização de redações de diversos tipos. 

Assim como na etapa anterior, ela pode ter caráter eliminatório e classificatório, mas isto não é uma regra. Existem certames com apenas duas etapas avaliativas que mantém a prova discursiva apenas com o caráter classificatório, dando logo início à homologação do certame após sua conclusão.

Um dos motivos para ser tão temida pelas pessoas são suas exigências para conseguirem atingir boas notas, tendo como base as seguintes regras:

  • Escrever na norma padrão culta;
  • Estar de acordo com o novo acordo ortográfico e regras gramaticais;
  • Respeitar a estrutura exigida pela banca (exemplo: peça prático-processual, texto dissertativo-argumentativo, expositivo…)
  • Ter coesão e coerência em seu texto, ou seja, utilizar elementos coesivos (conectivos) e ter uma linha de raciocínio lógica em sua produção.

Não é uma regra ter esta etapa em sua prova, porém é sempre bom estar preparado para tudo e qualquer coisa que seja possível de existir em seu concurso. Nós do DODF já demos dicas anteriormente sobre como você pode arrasar em provas assim neste artigo.

A maneira como esta prova é corrigida é um pouco diferente da etapa anterior, visto que, ao invés de você construir a sua pontuação, você começa com a pontuação máxima e vai diminuindo conforme os seus erros nela, sejam eles de estrutura, gramaticais, técnicos, entre outros.

3 – Prova Oral

Uma prova dificílima para uns e um paraíso para outros — afinal, nem todos gostam ou estão aptos desde sempre a falar diante de uma banca avaliativa.

Assim como seu próprio nome diz, é uma etapa que exige uma oratória coerente com o seu cargo. Geralmente aplicada em carreiras jurídicas (juízes, promotores, delegados, etc), as questões são sorteadas pela banca, a qual dispõe de quinze minutos para o candidato discorrer sobre sua área de atuação. Dentre essas questões, estão incluídas jurisprudência, discussões doutrinárias, perguntas diretas e outros.

Por ser uma prova para cargos jurídicos em sua maioria, a banca exige traje formal para os candidatos, os quais precisam ter domínio técnico, ótima argumentação jurídica, uso correto da linguagem do ambiente e postura profissional condizente com sua futura profissão. Ela é gravada do começo ao fim, garantindo assim transparência e a chance do candidato poder entrar com recursos caso perceba alguma incongruência.

Como treinamento, é recomendável que você pratique a sua oralidade e entenda o que a banca exige de você, treinando, acima de tudo, o raciocínio lógico e quais termos é de bom-tom ou não utilizar em cada caso — visto que, infelizmente, o ramo jurídico não é tão inclusivo ou permissível quando se trata de linguagem.

Uma boa notícia: em alguns casos, você é autorizado a levar códigos e/ou legislações não comentadas para utilizar e te auxiliar durante a prova! 

A nota final é calculada com base na média aritmética das notas dadas por cada membro da banca, as quais podem ir de 0 a 10 ou de 0 a 100.

Ela também se enquadra numa prova de caráter eliminatório e classificatório.

4 – Prova de Tribuna

Podendo ser encontrada mais facilmente em concursos do Ministério Público e Defensoria Pública, a prova de tribuna visa avaliar a capacidade do candidato de agir diante de um tribunal simulado, geralmente para cargos jurídicos de alto nível, como Promotores, Juízes, Delegados e Defensores Públicos.

Aqui você terá de sustentar a sua oralidade baseando-se em argumentos jurídicos a partir de uma situação problema simulatória, defendendo sua tese de maneira clara e objetiva.

Quanto ao seu caráter, é válido comentar sobre certas diferenças de certame para certame. No caso de provas voltadas para o Ministério Público, a prova de tribuna é apenas classificatória. Já em outros órgãos públicos, ela pode eliminar e/ou classificar o candidato.

Os critérios avaliativos seguem os mesmos da prova discursiva, atribuindo notas de 0 a 10 ou de 0 a 100.

5 – Prova Prática

A prova prática pode estar presente em diversos concursos, sejam eles de nível fundamental, médio, técnico e/ou superior.

Tal prova exige que o candidato demonstre para a banca avaliadora suas habilidades a partir do que ele irá fazer no dia a dia de seu futuro cargo, como, por exemplo: operar máquinas, dirigir para casos de motorista, cozinhar para casos de merendeiras, etc. Antigamente, até a última edição do concurso de Escrevente TJSP de 2024, existia uma segunda etapa focada em digitar e formatar textos.

Seu caráter pode ser eliminatório e classificatório, com a banca dispondo de um tempo mínimo e máximo para que o candidato conclua a prova.

6 – Prova de Títulos

Tal etapa pode ser exigida em diversos cargos de diferentes setores, sendo mais recorrente para concursos voltados para a docência, seja ela de nível básico e/ou superior.

Na prova de títulos, você irá apresentar seu currículo acadêmico para a banca e ganhará pontos conforme a sua proficiência. Alguns exemplos de títulos exigidos são a pós-graduação, mestrado e doutorado.

Esta etapa pode ter tanto caráter duplo (eliminatório e classificatório), quanto apenas classificatório, visto que ela pode ser encontrada como a última etapa de alguns certames.

Nela, caso você seja aprovado em etapas anteriores (prova objetiva e/ou discursiva), você submete seus diplomas e documentos comprobatórios de seus títulos no site da banca e aguarda a classificação final, seja de um ou mais pontos para cada título do candidato.

7 – Teste de Aptidão Física (TAF)

É uma espécie de prova prática, porém focada nas habilidades físicas de futuros agentes da segurança pública, voltada especialmente para guardas municipais, bombeiros, policiais, etc).

Se caracteriza como uma prova para avaliar a resistência dos candidatos diante de uma série de exercícios, os quais podem girar em torno de barra fixa, flexões, abdominais, corrida e natação (a depender do cargo). O tempo mínimo e o número de repetições é diferenciado com base no gênero, então é comum encontrar TAFs que exigem mais de candidatos homens e menos de candidatas mulheres.

Possui caráter exclusivamente eliminatório, logo é preciso se atentar à forma como você realiza os exercícios previstos no edital e se dedicar ao máximo durante sua preparação.

8 – Avaliação Médica

A avaliação médica pode ser encontrada tanto em cargos públicos quanto privados, sendo uma etapa indispensável em certames. Nela, o candidato realiza uma bateria de exames a fim de que a banca verifique se ele está apto física e psicologicamente para tomar posse e exercer as funções plenas do cargo.

Os cargos que mais pedem a avaliação médica são os da segurança pública. Por vezes, é necessário que o próprio candidato arque com os custos da realização dos exames, que possui caráter eliminatório, apenas.

9 – Sindicância de Vida Pregressa

Na sindicância de vida pregressa, a banca investiga a idoneidade civil, moral e criminal de seus candidatos. Em geral, a banca foca mais em avaliar a conduta do candidato por meio de registros documentais, além de comportamentos nas redes sociais também.

Seu caráter é apenas eliminatório.

10 – Investigação Social

Sendo um pouco parecida com o item anterior, a investigação social é mais ampla e subjetiva, visto que a banca entrevista, por meio de agentes disfarçados de civis, lugares perto da residência atual, vizinhos próximos, local de trabalho e outros frequentados pelo candidato.

Assim como na etapa anterior, é analisada a sua conduta social, moral, profissional e reputação, em prol de verificar se o caráter e perfil do candidato é compatível com a ética exigida e muito característica do ramo público.

Também possui caráter exclusivamente eliminatório.

11 – Curso de Formação

Em alguns cargos, em carreiras diplomáticas, policiais, fiscais e jurídicas, é exigido como última etapa a realização de um curso de formação com duração de poucos meses. 

Nesta etapa, você só reprova caso não obtenha a pontuação mínima do curso, assim como a frequência exigida. Logo, basta ser um “bom aluno”, focar no seu objetivo que esta etapa será mamão com açúcar para você!

Nesses cursos, é comum a pessoa passar por treinamentos mais técnicos, como preparação para futuros policiais, juízes e profissionais da carreira fiscal. Dependendo do seu cargo, é possível realizar o curso de maneira totalmente online — além de que, em alguns casos, os candidatos também recebem bolsa-auxílio.

Esta etapa apenas se torna eliminatório se a pessoa não obtiver o mínimo em notas e frequências ao longo do curso.

12 – Inscrição Preliminar

Muito comum em concursos para a Magistratura, a inscrição preliminar é a fase onde os candidatos enviam documentos provisórios até que a banca os aceite definitivamente para poderem, de fato, concorrerem ao cargo pretendido. 

Nela, a banca avalia se o candidato possui os requisitos básicos exigidos no concurso. No caso para o concurso da Magistratura, temos os seguintes requisitos:

  • Diploma em bacharel em Direito em qualquer instituição reconhecida pelo MEC (Ministério da Educação);
  • Comprovante de, no mínimo, 03 anos em atividade jurídica, seja em setor público e/ou privado;
  • Ser aprovado no ENAM (Exame Nacional da Magistratura);
  • Ser brasileiro nato ou naturalizado;
  • Estar em dia com sua quitação militar/eleitoral;
  • Títulos, como pós-graduação;
  • Apesar de não ser uma regra, mostrar a inscrição na OAB.

Após a avaliação, a banca decide ou não se o candidato pode fazer a inscrição definitiva, a qual entra no nosso próximo tópico.

Seu caráter é eliminatório, apenas

13 – Inscrição Definitiva

Na inscrição definitiva, você possui um prazo de validade para concorrer ao concurso em questão, muitas vezes sendo o da Magistratura.

Nela, você oficializa sua inscrição e, caso seja aprovado em concursos públicos que exigem ela, poderá exercer sua profissão legalmente.

Assim como na anterior, possui caráter eliminatório.

14 – Avaliação Biopsicossocial

Após a bateria de provas feitas, candidatos deficientes passam pela avaliação biopsicossocial para poderem comprovar que possuem mesmo a deficiência e são aptos a concorrem às vagas reservadas para a cota PCD (pessoa com deficiência).

Ela é realizada por uma equipe especializada de profissionais interdisciplinares, incluindo médicos, psicólogos e assistentes sociais. Para além de poder concorrer às vagas da cota, a avaliação biopsicossocial serve também para garantir ao candidato benefícios voltados para PCDs dentro do seu cargo, os quais incluem aposentadoria PCD e recursos adaptativos, como trabalhar diretamente de casa em alguns casos, por exemplo.

15 – Heteroidentificação

Assim como existe uma etapa que pede para o candidato comprovar a própria deficiência, existe uma etapa voltada para que pessoas confirmem a própria raça diante de uma banca avaliadora.

A heteroidentificação ajuda tanto a combater fraudes (com pessoas brancas se candidatando a vagas para pessoas PPI — pretas, pardas e indígenas —, a fim de ter mais “facilidade” de passar no certame ao invés de concorrer na ampla concorrência) quanto em garantir que as políticas públicas afirmativas do sistema de cotas seja utilizado e beneficie quem realmente precise. 

Com a banca composta por vários avaliadores, o candidato é analisado por meio de traços físicos comuns para a raça da qual pertence, como textura do cabelo, cor da pele e traços faciais. A partir dessa avaliação, a banca a associa à percepção social do indivíduo, sem precisar avaliar sua ancestralidade, documentos antigos ou identidade pessoal — mas sim diante do mundo exterior.

Esta etapa é de caráter exclusivamente eliminatório.

Nós do DODF te desejamos bons estudos e até a próxima!